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Bienal do livro de São Paulo
Eu não imaginaria que voltar a São Paulo depois de quase um ano para participar da Bienal do Livro, me reservaria tantas reflexões e impressões acerca desse universo. Fui para viver uma experiência importante na minha trajetória como escritora, levar meus livros, encontrar leitores, conhecer outros autores e estar, mais uma vez, diante de um espaço literário importante no nosso país.
Mas, voltei trazendo comigo muito mais do que fotografias, livros, mimos, encontros e memórias. Voltei pensando sobre a literatura, sobre o livro, sobre quem escreve, quem lê, quem publica, quem divulga e, sobretudo, sobre o espaço que a literatura ocupa em nossa sociedade.

(Logo do evento-foto tirada de internet)
Essa foi a 28ª edição do evento, e em meio a um frio de 11 graus essa foi também a primeira bienal que participei e talvez por isso, eu tenha refletido tanto, sobre tantas coisas que vi e vivenciei e quero compartilhar algumas das minhas impressões.

A primeira impressão foi a dimensão do mercado editorial. Estar na Bienal foi perceber que por trás de cada livro existe um universo muito maior: editoras, autores, ilustradores, designers, livreiros, distribuidores, profissionais da comunicação e tantos outros trabalhadores envolvidos na cadeia do livro. São muitos estandes, lançamentos, produtos e possibilidades, revelando a força que o livro ainda possui enquanto produto cultural. Para quem escreve e publica, observar essa estrutura tão grande também provoca uma reflexão sobre os caminhos possíveis para fazer uma obra chegar aos leitores.
A segunda impressão que tive foi perceber a força e a diversidade da produção literária, sobretudo, brasileira. Há livros para todos os públicos, gêneros e interesses, além de uma multiplicidade de autores e vozes. Literatura infantil, juvenil, poesia, romance, fantasia, biografias, quadrinhos, não ficção e tantas outras formas de expressão ocupam aquele espaço. E, entre grandes editoras e nomes já consagrados, também estão os escritores independentes, que vêm conquistando cada vez mais espaço e construindo seus próprios caminhos. Essa diversidade mostra que a literatura brasileira está viva, produzindo muito e encontrando novas formas de chegar ao público.

A terceira impressão foi talvez uma das mais curiosas: ver escritores sendo tietados, e aqui não estou romantizando, nem glamourizando o trabalho duro que é publicar um livro. São filas enormes para autógrafos, leitores esperando para encontrar seus autores, fotografias e demonstrações de carinho. É interessante perceber o escritor ocupando um lugar que, muitas vezes, associamos a outras áreas da cultura. Na Bienal, o autor deixa de ser apenas o nome na capa e ganha rosto, voz e presença. Existe uma relação afetiva entre quem escreve e quem lê. E ver essa admiração tão de perto me fez pensar na potência que a literatura tem de criar vínculos e transformar autores em referências para seus leitores.

Outra imagem que ficou muito forte pra mim, foi a quantidade de crianças, jovens e adolescentes lendo, escolhendo e comprando livros. Eles estavam por toda parte, circulando entre os estandes, em sessões de contações de histórias, procurando suas histórias favoritas, descobrindo autores e levando livros para casa. Em um momento em que frequentemente ouvimos que os jovens não leem, presenciar aquela cena foi, para mim, uma provocação importante. Talvez eles estejam lendo aquilo que conversa com suas experiências, com seus interesses e com o seu tempo. A Bienal mostrou que existe, sim, um público jovem interessado em literatura — e que precisamos cada vez mais criar oportunidades para que esse encontro entre livro e leitor aconteça.
Portanto, sair de Cabaceiras, no Cariri paraibano, da famosa Roliude Nordestina e chegar a São Paulo levando meus próprios livros tem um significado que vai além da participação em um evento. É levar comigo um pouco da minha terra, das minhas referências, da minha maneira de olhar o mundo e das histórias que escolhi contar.
